quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Rasa

Eis um voto de amor e em anagrama que aqui eternizo:
Rasa em aconchego ao teu colo eu me quebro inteira
Quando me despedaças em cor, carinho e odor
E todos os anjos no céu cantam sorrindo: é amor!

Desde os meus prantos de iniquidade
Aos meus sintomas - tão ocos- de maldade, 
Em pureza fitas de longe, de perto e de qualquer ângulo o meu coração,
Catando com Deus, escolhendo à par, uma solução.

Estes teus olhos que decifram só verdades
E que me acolhem, com a córnea cheia de saudade
Será que deslumbram no espelho a graça da cabeça ao pé?
Pena se não enxergarem a sublimidade da tua face em fé.

E eu não sei como terminar sem pensar nessa pele,
Ah, essa maciez tão pura, tão completa, que o pecado repele;
Estes lábios dóceis, que não beijam -porque não querem- o infinito, 
Eu quero dizer que te amo, mesmo quando teu peito fadiga em mim e eu grito.

Poema dedicado à Sara Matter, a amiga de sempre! 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Decorei as palavras amedrontadas ao teu ouvido!

Decorei as palavras amedrontadas ao teu ouvido! 
Quando me desejavas nua (sem saber que eu já era tua),
 Ecoou saudade no túnel do amor e,
nada poderia eu fazer se não deslizar em lágrima mesmo que atoa.

Decorei as palavras amedrontadas ao teu ouvido!
E eu olho teus traços; pelas telas, pelos lados
Lembro do enlaço dos dedos, das línguas e do tato;
Queimando em saudade como queimavam os troncos no leito.

Mesmo decorando o que meu cerne ansiava dizer e repelia teu conhecimento,
Eu já era tua no leito, na mente, na alma e no peito!
E ecoando saudade, fitando e evocando a seiva já gasta (e mui bem saboreada)
Não houve: não há nada a fazer; Queimo em saudade como todos os dias em que tentei te dizer.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

sofri tua falta nesse mês de julho,
(o primeiro sem tuas idas e voltas)
as minhas redes tão a sós no lar
e o tec tec de cada tecla, se calou sem se degastar.

-eu vou guardar todo esse amor
pra jogar na tua cara
e nunca mais ficar calada
quando teu rancor querer passar - até mais.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Uma noite de março morta

Em meio a um bombardeio de luz e toda a raiva do mundo
Que na véspera eu e no sábado tu ousara sentir sem despeito,
É que li teus olhos tristes, embriagados, caídos na beira da loucura e do fim.

Quando mergulhei o lábio e imergi inteira na onda daquela pele
Derramando meu sumo no teu corpo que como terra, esperava para germinar
E após os dias - os mergulhos, os choques, as almas que não combinavam entre si,
estava a semente pronta: viva.

E estando a semente viva não tardou a morrer num fim de junho,
(o que era uma criança na cabeça de março)
Agora sendo esquecida numa manhã fria de uma cidade calma a sete chaves:
De agora em diante aquela noite não sai mais da gaveta da minha alma!

terça-feira, 24 de maio de 2016

A xícara esfriou

A xícara esfria e eu tenho onze minutos para que sintas tudo;
Naquela noite escura - como todas as outras,
Em que debruçavas os dedos entre meus seios, atônito
A transcender as medidas do prazer e da agonia,
O espelho mostrava uma alma mendiga de amor curando-o em leito.

Quando tentavas os sorrisos num sexo repentino
Os olhos ardiam nas manhãs vindouras:
- O entrelaço dos corpos é o disfarce mais quente.
As palavras nasciam e todas elas eram postiças,
As festas eram caladas, já que, sem amor, no fundo eu nada seria.

O café se foi. Os onze minutos, agora vinte e três, estão fartos.
De esperar odor no que no fundo é só prazer das noites de sexta
(ás vezes quartas, quintas, segundas ou terças),
E tudo virar pó depois daquele momento: tudo virar nós para desatar.
Emudecendo os gritos ambíguos que choram por amar nas voltas que se dá.



sábado, 30 de abril de 2016

O penúltimo dia dezesseis

Desde o penúltimo dia dezesseis
Não existem dias mais vazios
Que todos os outros depois do décimo seis.
Desde teu lábio no terceiro mês,
Nenhum outro compensou o estrago,
O beijo e o afago que o amor me fez.

Quando depois do terminante em seis,
Os dias se passando num tênue fim,
Era continuidade do ultimo mês!
E os olhos fortes pintando a palidez,
Pairando em brasa na dança do acaso
Desenhando as rimas daquela timidez.

domingo, 10 de abril de 2016

Saudade

Não sei dizer mais nada se não saudade
Aquela que me instigava aos sábados
Durante às nove, quem sabe dez
De uma manhã que se fazia fria,
Que implorava meu louvor
Meu desejo de viver, viver e nada mais;
Que brindava a vida como quem se olha no espelho
E agora goza insatisfeita na espera do túmulo.