terça-feira, 8 de março de 2016

Uma eternidade numa noite de sexta-feira

Ainda sobre aquela última sexta:
A fumaça corria e sumia no beijo que morreu no escuro,
E enquanto as portas batiam-se as latas eram assassinadas pelas gotas d'água
Que ecoavam como lágrima das nuvens ao chão.

A chuva lacrimejava, os olhos ardiam, as canções emudeciam-se!
E o silêncio ensurdecedor gritava tentando desatar
(Tudo virou nós naquele instante); não sobrou pó.
Só floresceu eternidade no refrão que todo mundo dizia que não passava de uma noite a sós.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Um campo mui sagaz

A chuva ecoa no coração:
Os talheres, o tilintar das moedas tão poucas
E um silêncio absurdo se presenteia horas a fio:
Naquela noite, pois -como todo o carnaval tem seu fim-
Eu só queria poder dizer toda as migalhas sentidas que podi.

Em plenos trezentos, talvez meados de outro mês
Colada no lábio de um outro alguém
Lembrando das curvas (tua pele é o poema mais quente)
Remoendo um desejo agudo de só querer jazer por não mais o ter.

Tece em mim palavra solta, e um grito enfim
Dê-me um pouco do inverno do teu peito,
Que a vida, as estações, a caminhada é um campo mui sagaz 
Com pouca chance de se rasgar só.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sonhos de uma terça-feira

Quando me encaras nua: tão tua,
Transbordo-me em uma rima solta
Dos poros do meu torso.
Quando te encaixas ligeiramente em minh'alma,
E a tua boca  nos meus peitos, meu corpo que tumultuado
Corre ao teu encontro, já deves saber que da noite
sou dessas mulheres - sem medir talheres -
Em dizer um sim para as loucuras todas.

Mesmo na terça feira um vazio morre inteiro e um desejo ergue-se a fio:
Quando puxavas meus panos e dizias:"dê-me um gole desta vida"
Que de ti se foi num vazio ambíguo e quando renasce jaz sempre.
Mas quando se refaz em poema e quando no meu seio o sumo escorre
No teu pescoço o suor corre, os corpos nadando um contr'outro
Então acordo daquele manto quente que em teu braço me envolveu:
Eu saio da cama pronta pra realizar meu sonho quente em teu beijo (que é meu).

domingo, 7 de fevereiro de 2016

"todo o carnaval tem seu fim"

No meio da fumaça, ao meio e cravada
da grama, dá nada, uma erva sacana
ás oito da noite já beijando a minha boca.

Tacada na cama e com os olhos me invade
Os seios puros e a língua que arde
Tome essa brisa e finja que estamos falando de um fevereiro em Marte.

Me joga pra cima, me bota pra frente
E eu lembro do passado como um dengo presente
Cê num vale nada e meu coração já sente:

O afago, a rima toda solta vagando
Nos olhos como uma luz quando me olhando
Fitava, tão rara antes que mesmo imaginando

Que naquele mês eu nada tava achando.


OBS: os erros gramaticais são propositais.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Em falso

Ninguém ouve meu pranto.
Tampouco o sentem:
O ar transforma em veneno
o que desfez-se do amor em nada.
E inquieta do avesso, errante aos astros
Piso em falso, ao pé da margem
do ar que me sussurra em brasa
que no peito queima dizendo assim:
coitada!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Preciso dizer que te amo

Ando procurando descrever estas tuas asas ligeiras:
Todas prontas a voar depressa demais!
E entregando-me a esta saudade louca
(De repente tua boca, da minha, se vai.)

Quando voavas assim, tão repentinamente
Meu peito voava ao abismo gozando desgosto
De todo verso, de todo o pranto
Que minha prosa beijou o lábio do agosto.

E nestes dias janeirinos pude prever o inverno tão cru
Antecedendo o tempo de amar, a estampa dos anos.
Com este fito vazio tu me olhavas ao longe
Descartando a possibilidade - minha antiga vontade- de dizer mais uma vez que te amo!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

o melhor lado bom

gritos de horrores me causavam aqueles sapatos lustrados
de farda em farda em que os olhos se entrelaçavam:
mendigo qualquer rancor do meu amor que no fundo
eu achei que era ódio.

se me prostrasse sobre o passado que me era presente
que me era para ser futuro, no ano vindouro, nos anos a mais
 nem assim ele se tardaria a ir embora como um furacão:
nem mesmo implorando os gritos de qualquer pessoa que me era um nada.

sobre o lado bom da vida: devo à ele o reconhecimento e não a calúnia.
a calúnia dos piores grandes momentos que pareciam até quilométricos
das pequenas joias que não me passavam de bijuterias baratas
e vivo a indagando o que meu peito sempre quer exaltar: a dor tem o melhor lado bom.