A xícara esfria e eu tenho onze minutos para que sintas tudo;
Naquela noite escura - como todas as outras,
Em que debruçavas os dedos entre meus seios, atônito
A transcender as medidas do prazer e da agonia,
O espelho mostrava uma alma mendiga de amor curando-o em leito.
Quando tentavas os sorrisos num sexo repentino
Os olhos ardiam nas manhãs vindouras:
- O entrelaço dos corpos é o disfarce mais quente.
As palavras nasciam e todas elas eram postiças,
As festas eram caladas, já que, sem amor, no fundo eu nada seria.
O café se foi. Os onze minutos, agora vinte e três, estão fartos.
De esperar odor no que no fundo é só prazer das noites de sexta
(ás vezes quartas, quintas, segundas ou terças),
E tudo virar pó depois daquele momento: tudo virar nós para desatar.
Emudecendo os gritos ambíguos que choram por amar nas voltas que se dá.
terça-feira, 24 de maio de 2016
sábado, 30 de abril de 2016
O penúltimo dia dezesseis
Desde o penúltimo dia dezesseis
Não existem dias mais vazios
Que todos os outros depois do décimo seis.
Desde teu lábio no terceiro mês,
Nenhum outro compensou o estrago,
O beijo e o afago que o amor me fez.
Quando depois do terminante em seis,
Os dias se passando num tênue fim,
Era continuidade do ultimo mês!
E os olhos fortes pintando a palidez,
Pairando em brasa na dança do acaso
Desenhando as rimas daquela timidez.
Não existem dias mais vazios
Que todos os outros depois do décimo seis.
Desde teu lábio no terceiro mês,
Nenhum outro compensou o estrago,
O beijo e o afago que o amor me fez.
Quando depois do terminante em seis,
Os dias se passando num tênue fim,
Era continuidade do ultimo mês!
E os olhos fortes pintando a palidez,
Pairando em brasa na dança do acaso
Desenhando as rimas daquela timidez.
domingo, 10 de abril de 2016
Saudade
Não sei dizer mais nada se não saudade
Aquela que me instigava aos sábados
Durante às nove, quem sabe dez
De uma manhã que se fazia fria,
Que implorava meu louvor
Meu desejo de viver, viver e nada mais;
Que brindava a vida como quem se olha no espelho
E agora goza insatisfeita na espera do túmulo.
Aquela que me instigava aos sábados
Durante às nove, quem sabe dez
De uma manhã que se fazia fria,
Que implorava meu louvor
Meu desejo de viver, viver e nada mais;
Que brindava a vida como quem se olha no espelho
E agora goza insatisfeita na espera do túmulo.
terça-feira, 8 de março de 2016
Uma eternidade numa noite de sexta-feira
Ainda sobre aquela última sexta:
A fumaça corria e sumia no beijo que morreu no escuro,
E enquanto as portas batiam-se as latas eram assassinadas pelas gotas d'água
Que ecoavam como lágrima das nuvens ao chão.
A chuva lacrimejava, os olhos ardiam, as canções emudeciam-se!
E o silêncio ensurdecedor gritava tentando desatar
(Tudo virou nós naquele instante); não sobrou pó.
Só floresceu eternidade no refrão que todo mundo dizia que não passava de uma noite a sós.
A fumaça corria e sumia no beijo que morreu no escuro,
E enquanto as portas batiam-se as latas eram assassinadas pelas gotas d'água
Que ecoavam como lágrima das nuvens ao chão.
A chuva lacrimejava, os olhos ardiam, as canções emudeciam-se!
E o silêncio ensurdecedor gritava tentando desatar
(Tudo virou nós naquele instante); não sobrou pó.
Só floresceu eternidade no refrão que todo mundo dizia que não passava de uma noite a sós.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Um campo mui sagaz
A chuva ecoa no coração:
Os talheres, o tilintar das moedas tão poucas
E um silêncio absurdo se presenteia horas a fio:
Naquela noite, pois -como todo o carnaval tem seu fim-
Eu só queria poder dizer toda as migalhas sentidas que podi.
Em plenos trezentos, talvez meados de outro mês
Colada no lábio de um outro alguém
Lembrando das curvas (tua pele é o poema mais quente)
Remoendo um desejo agudo de só querer jazer por não mais o ter.
Tece em mim palavra solta, e um grito enfim
Dê-me um pouco do inverno do teu peito,
Que a vida, as estações, a caminhada é um campo mui sagaz
Com pouca chance de se rasgar só.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Sonhos de uma terça-feira
Quando me encaras nua: tão tua,
Transbordo-me em uma rima solta
Dos poros do meu torso.
Quando te encaixas ligeiramente em minh'alma,
E a tua boca nos meus peitos, meu corpo que tumultuado
Corre ao teu encontro, já deves saber que da noite
sou dessas mulheres - sem medir talheres -
Em dizer um sim para as loucuras todas.
Mesmo na terça feira um vazio morre inteiro e um desejo ergue-se a fio:
Quando puxavas meus panos e dizias:"dê-me um gole desta vida"
Que de ti se foi num vazio ambíguo e quando renasce jaz sempre.
Mas quando se refaz em poema e quando no meu seio o sumo escorre
No teu pescoço o suor corre, os corpos nadando um contr'outro
Então acordo daquele manto quente que em teu braço me envolveu:
Eu saio da cama pronta pra realizar meu sonho quente em teu beijo (que é meu).
Transbordo-me em uma rima solta
Dos poros do meu torso.
Quando te encaixas ligeiramente em minh'alma,
E a tua boca nos meus peitos, meu corpo que tumultuado
Corre ao teu encontro, já deves saber que da noite
sou dessas mulheres - sem medir talheres -
Em dizer um sim para as loucuras todas.
Mesmo na terça feira um vazio morre inteiro e um desejo ergue-se a fio:
Quando puxavas meus panos e dizias:"dê-me um gole desta vida"
Que de ti se foi num vazio ambíguo e quando renasce jaz sempre.
Mas quando se refaz em poema e quando no meu seio o sumo escorre
No teu pescoço o suor corre, os corpos nadando um contr'outro
Então acordo daquele manto quente que em teu braço me envolveu:
Eu saio da cama pronta pra realizar meu sonho quente em teu beijo (que é meu).
domingo, 7 de fevereiro de 2016
"todo o carnaval tem seu fim"
No meio da fumaça, ao meio e cravada
da grama, dá nada, uma erva sacana
ás oito da noite já beijando a minha boca.
Tacada na cama e com os olhos me invade
Os seios puros e a língua que arde
Tome essa brisa e finja que estamos falando de um fevereiro em Marte.
Me joga pra cima, me bota pra frente
E eu lembro do passado como um dengo presente
Cê num vale nada e meu coração já sente:
O afago, a rima toda solta vagando
Nos olhos como uma luz quando me olhando
Fitava, tão rara antes que mesmo imaginando
Que naquele mês eu nada tava achando.
OBS: os erros gramaticais são propositais.
da grama, dá nada, uma erva sacana
ás oito da noite já beijando a minha boca.
Tacada na cama e com os olhos me invade
Os seios puros e a língua que arde
Tome essa brisa e finja que estamos falando de um fevereiro em Marte.
Me joga pra cima, me bota pra frente
E eu lembro do passado como um dengo presente
Cê num vale nada e meu coração já sente:
O afago, a rima toda solta vagando
Nos olhos como uma luz quando me olhando
Fitava, tão rara antes que mesmo imaginando
Que naquele mês eu nada tava achando.
OBS: os erros gramaticais são propositais.
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