domingo, 1 de fevereiro de 2015

os teus olhos

Quando eu enxergo o meu futuro incerto
poucas, raríssimas vezes, insisto que chegue depressa.
quando de vez em quando me basta aquela certeza
dos teus olhos, de poder vê-los, de poder prová-los em cada instante dos meus dias...
Ah, os teus olhos..
Eu preferia passar pelo vale da morte a deixar de vê-los com tal desejo alucinante
Ainda que, toda a dor do mundo me amaldiçoasse, se eu pudesse fitar estes olhos,
já aliviaria a minha vida, e meu mundo inteiro conspirando contra mim
não murcharia assim:
viveria triste, mas ainda que com pouca vida restante
ele viveria pelos teus olhos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Mas eu te gosto tanto...

E o que queres que eu diga? Que te amo?! Seja louco!

Mas de fato, é que estou prestes à amar-te. Estou prestes a viver um verão maldito como todos os outros e me entregar para o prazer dos teus lábios. Estou prestes a escorregar pelas ilusões futuras que, em meu pulsar diário já estão presentes. Estou prestes a passar noites acordada dedicando-te sonetos para depois, com a farda passada, olho no olho, poder recitar, verso por verso, e sentir o teu desprezo.

Mas por ora, eu te gosto!
Te gosto porque em ti eu sinto tudo que um dia já vivi, porque as flores que desabrocham pra ti no cair da noite, são as mesmas que um dia ousei provar, com tão pouco avivamento.

Ás vezes te percebo numa máscara em que as pessoas te veem de um jeito, e poucos, pouquíssimos mesmo, podem ser honrados ou pelo menos, dizer-se honrados em tirá-la e, a olho nu fitar-te. Queria ser uma dessas.

Gostando-te, destaco que perdidamente me encanto nestas tuas veredas tristes. A tua agonia, é a minha. A tua dor é semelhante à que sinto. Os teus olhos levam os mesmos fardos que os meus. O teu riso ri do mundo, como o meu ri também. O teu preto, é o mesmo tom da minha vida. Os teus jeitos, são os que consigo imitar, viver, improvisar (das formas mais espontâneas desse mundo, oh Deus) diariamente.

Devo mesmo dizer que te amo?! Seja louco!

Eu sinto é desejo pela tua carne. Vontade dessa tua pele delgada e de te amaciar o corpo com o meu. E juntamente com isso, um pouco de ternura, devagar, devagarinho, para que também, lentamente, o amor nasça e renasça, dia após dia, nas trocas de olhares, sorrisos, abrigos.

Dizer que te gosto é como afirmar o apelo para o juízo quando contas dos livros e ris da vida. É aflorar as dores e mergulhar nessas tuas palavras muito bem escolhidas em tudo que dizes, é se afundar como uma criança que não sabe nadar nesse mar do amor que sempre há de nos puxar, como areia movediça.

Se dizer que te amo fosse só...

Eu não te amo! No entanto, eu tenho tanto à te dizer...

Dizer que te desejo, que te insisto, é pouco. Falar que os dicionários não são nada perto do que sinto, soaria e pareceria clichê (e nós, mais do que qualquer pessoa, detestamos clichês).

Dizer que te entendo, que te sugo, que necessito te ouvir mais e como uma psicanalista abrigar os teus anseios, seria o bastante. Grata à ti sou por não me fazer sentir única no desvaneio da vida.

Eu não te amo, eu juro. Mas eu te gosto tanto...

Mas é que eu preciso sentir cada traço teu em todas as minhas noites de ócio:
eu preciso te ter por completo, e, sob hipótese alguma, meu amor,
dividir os teus átomos que deveriam ser inteiramente meus.

Me desapegar

Eu tenho quatorze anos
e sou morena e linda!
mas canto, e não ouço um pulsar de volta,
e vivo a amar o mundo,
levando a vida com ele à me desprezar
e, por tão triste viver
aqui venho jazer.

Eu moro no pé do Brasil
Sou verde, amarela, mulata
Daquelas que dançam na praia
das pernas mais belas da área
e os homens vivem à me olhar,
e até mulheres pensam em me desejar
mas o que eu queria mesmo, era amar.

Risonha eu rio da vida,
eu choro do mundo
que como eu, cravo
me crava
me corta em pedaços
e estes versos meus são horror
leia somente até aqui, se dentro de ti não tem dor.

E tenho quatorze anos
e sou morena e linda!
mas amo, vivo, sorrio, canto, danço, escrevo, leio
e tampouco isso é o suficiente
e tampouco isso justifica os defeitos.
vou levando a vida com o mundo à me odiar,
procurando, uns poucos segundos, me desapegar.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Aflição constante

Devo confessar que os meus suspiros aflitos são longos
As marés boas andam batendo nas minhas curvas e não tardam à ir-se,
Quando logo em seguida, vem outra aflição, que passa de saída,
e em seguida outra, outra e mais outra.

Meu peito não aceita os meus olhos de encharque
os meus lenços de pura e inigualável indagação culpada, orgulho ferido
não querem um fardo a carregar que não possa ser feito de sonho e sim,
de uma superfície serena de lástima.

O meu sonho não aceita verdade pessimista: mentira, mentirinha.. vai
Os meus ossos curvam-se diante das trevas do abismo
mas de uma divina circunstância que outrora irá aparecer:
O meu sonho só aceita alegria porque é tão triste que já nem aguenta mais ouvir.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Poesia de tudo

Há dias é que eu queria os azares das paixões e as tragédias tristes que nelas cabem:
queria também o pecado, a carne
e vejo que não me fora útil para nada; hoje eu só quero teu amor,
o eterno, indestrutível, eu quero a tua face e dela te compor.

E quero também, presenciar-te em cada verso meu, Senhor
tu és minha poesia e a de um todo do mundo inteirinho:
não há verso tão puro quanto o teu,
não há sintoma poético dado por ti que caiba no coração meu.

Hoje sou poeta.
Não sei se devo chorar, agradecer, lamentar
Eu sou o pecado, logo qualquer letra do mundo.
Mas de que vale isso, se és toda poesia de tudo?!

Vivo inquieta e triste

Vivo inquieta
e triste
virada do avesso
compondo canção
de vasto luar
que se esvai
num abismo nada curto
que grita outrora
de dor de solidão.

Vivo de ponta cabeça
leve na massa, pesada n'alma
Toda graciosa, no mundo inteirinho:
chamada por Deus
pelo mundo: confusa de dores, amores
- Só sei falar disso
E pareceria clichê
Se respondesse o porquê.

Vivo no abandono
Na crítica, do azar
da sorte dos versos
do azar na vida
do amor do pai
e esperança repentina,
na falta que faz
teus olhos murcharem
num breve balanço
que danço.

e resolvi sentir
ao invés de calcular, formar
eu resolvi ser alegre hoje e triste amanhã
porque ninguém escapa da suavidade,
do sublime e da angústia:
ninguém escapa das portas do inferno que vive a nos chamar
na arte, na dor
no horror
no cúmulo
ímpio e injusto
canto e amor.

Vive inquieto e triste...
- Acho que só.