sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Mas é que eu preciso sentir cada traço teu em todas as minhas noites de ócio:
eu preciso te ter por completo, e, sob hipótese alguma, meu amor,
dividir os teus átomos que deveriam ser inteiramente meus.

Me desapegar

Eu tenho quatorze anos
e sou morena e linda!
mas canto, e não ouço um pulsar de volta,
e vivo a amar o mundo,
levando a vida com ele à me desprezar
e, por tão triste viver
aqui venho jazer.

Eu moro no pé do Brasil
Sou verde, amarela, mulata
Daquelas que dançam na praia
das pernas mais belas da área
e os homens vivem à me olhar,
e até mulheres pensam em me desejar
mas o que eu queria mesmo, era amar.

Risonha eu rio da vida,
eu choro do mundo
que como eu, cravo
me crava
me corta em pedaços
e estes versos meus são horror
leia somente até aqui, se dentro de ti não tem dor.

E tenho quatorze anos
e sou morena e linda!
mas amo, vivo, sorrio, canto, danço, escrevo, leio
e tampouco isso é o suficiente
e tampouco isso justifica os defeitos.
vou levando a vida com o mundo à me odiar,
procurando, uns poucos segundos, me desapegar.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Aflição constante

Devo confessar que os meus suspiros aflitos são longos
As marés boas andam batendo nas minhas curvas e não tardam à ir-se,
Quando logo em seguida, vem outra aflição, que passa de saída,
e em seguida outra, outra e mais outra.

Meu peito não aceita os meus olhos de encharque
os meus lenços de pura e inigualável indagação culpada, orgulho ferido
não querem um fardo a carregar que não possa ser feito de sonho e sim,
de uma superfície serena de lástima.

O meu sonho não aceita verdade pessimista: mentira, mentirinha.. vai
Os meus ossos curvam-se diante das trevas do abismo
mas de uma divina circunstância que outrora irá aparecer:
O meu sonho só aceita alegria porque é tão triste que já nem aguenta mais ouvir.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Poesia de tudo

Há dias é que eu queria os azares das paixões e as tragédias tristes que nelas cabem:
queria também o pecado, a carne
e vejo que não me fora útil para nada; hoje eu só quero teu amor,
o eterno, indestrutível, eu quero a tua face e dela te compor.

E quero também, presenciar-te em cada verso meu, Senhor
tu és minha poesia e a de um todo do mundo inteirinho:
não há verso tão puro quanto o teu,
não há sintoma poético dado por ti que caiba no coração meu.

Hoje sou poeta.
Não sei se devo chorar, agradecer, lamentar
Eu sou o pecado, logo qualquer letra do mundo.
Mas de que vale isso, se és toda poesia de tudo?!

Vivo inquieta e triste

Vivo inquieta
e triste
virada do avesso
compondo canção
de vasto luar
que se esvai
num abismo nada curto
que grita outrora
de dor de solidão.

Vivo de ponta cabeça
leve na massa, pesada n'alma
Toda graciosa, no mundo inteirinho:
chamada por Deus
pelo mundo: confusa de dores, amores
- Só sei falar disso
E pareceria clichê
Se respondesse o porquê.

Vivo no abandono
Na crítica, do azar
da sorte dos versos
do azar na vida
do amor do pai
e esperança repentina,
na falta que faz
teus olhos murcharem
num breve balanço
que danço.

e resolvi sentir
ao invés de calcular, formar
eu resolvi ser alegre hoje e triste amanhã
porque ninguém escapa da suavidade,
do sublime e da angústia:
ninguém escapa das portas do inferno que vive a nos chamar
na arte, na dor
no horror
no cúmulo
ímpio e injusto
canto e amor.

Vive inquieto e triste...
- Acho que só.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sede de ternura

Um tumulto teu sumo escorrendo às minhas pernas:
quando beija minhas nádegas, amado
pouco tenho a fazer se não gemer, sorrir
das tuas entranhas o meu abrigo, e o meu amor, tão forte,
de longe aguarda o meu peito este fim, e quanto a isso - silêncio perpétuo.

Do prazer eu tenho riso, dos teus lábios, eu gozo;
De manso, e quase me indo aquele amor fajuto.
Mas o teu mastruço se ia fundo e os meus olhos, sem abrir,
diziam-te que a continuidade era falha, o amor não me existia!

No leito, mais desejos, e o teto, o teto escuro de qualquer imaginação me assombrava,
eu era uma puta! e como gostava disso...
o meu amor se ia.. voltava, voltava porque o sexo não me era sustentável.
voltava porque aquele entrelaço era pouco para aquela sede de ternura.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Renascer do viver

Como uma agonia morta a minha vida:
Subi o abismo e gozei da mesma,
Chorei amores que não tive e deixei-me cortar para hoje estar inteira.

É uma nação lírica os teus olhos
Ainda preenchem-me após um eito de oito meses,
Que não se tarda a passar, é lento a se ir..

Ah, tanto faz agora!! Seja lá o que for,
Já me curei da ferida aberta, repetimento diário,
Eu me curei de qualquer dor e hoje sinto saudades e sou feliz!

E como é dura a vida daqueles que não sentem...
É desgraçada a vida dos burgueses famintos por sexo, por amor, a vida dos que não sentem saudade...
Mas é feliz e honrada a vida de qualquer vagabundo de praça que sente:

a sensibilidade do ar, do amor, da paixão, da vida que renasce dia após dia.